9 anos casado com CARLA!
Eu costumo dizer que eu tenho 1 milhão de motivos pra agradecer a Deus… Um dos motivos mais especiais é ter um filho como Kyle e uma esposa como Carla. Eu sou um cara privilegiado por ter esses dois do meu lado. Eles são temperamentais e acredite não é fácil agradá-los, mas sabe tenho certeza que eu não teria nem 1/3 da felicidade que eu tenho senão fossem esses 2 do meu lado.
Um dos motivos que eu tenho pra agradecer a Deus é por estar casado a 9 anos completados dia 18 de julho. Todos dizem que Carla é uma santa em me agüentar e eu concordo em gênero, numero e grau. Creio que não exista alguém mais ‘enjoado’ que eu. Eu casei pra sempre, eu sempre digo isso pra Carla, estamos juntos e não importa se caia o mundo sobre nossas cabeças.
Um dia li uma historia que me inspirou a pensar que realmente casamento era pra sempre.
Era historia de um casal que já havia completados por volta de 20 de anos de casados. Apesar do tempo casados eles eram relativamente novos e felizes. Algumas dores de cabeça começaram a perturbar a vida da esposa desse homem que me ensinou muito. Depois de alguns analgésicos ela resolveu procurar um medico, depois de alguns exames o seu medico viu a necessidade de fazer exames mais aprofundados pela gravidade dos exames prévios. A noticia que ela e seu marido mais temia era de que ela estava gravemente doente. Mas não era uma doença que a mataria mas que a desligaria do mundo. Ela estava com demência...com Alzeimer, uma doença degenerativa do cérebro que faz a pessoa esquecer até mesmo como se anda ou se come num certo grau de gravidade. Quando ela contou ao seu marido, os dois choraram e ele prometeu que cuidaria dela pra sempre. Como ele disse, no dia em que se casaram que a amaria na ‘doenca ou na saúde’ ele assumiu esse compromisso no momento em que ela mais precisava dele. Chamaram seus filhos e contaram o que estava acontecendo. Ainda lúcida ela disse que estava ficando doente e em pouco tempo ela esqueceria quem eles eram e passaria a ficar agressiva ou passiva. Todos choraram abraçados e foi triste ler a cena. Prometeram que cuidariam dela não importavam as circunstâncias. Em pouco tempo ela já estava fora de órbita e passou a ficar agressiva e degenerar no seu comportamento agindo como se fosse uma criança de 5 anos. O esposo já não tinha tecnicamente uma esposa, mas uma filha pequena que precisava cuidar. Dentro de todo esse stress que seu casamento e família entrou ele reencontrou uma antiga namorada, recomeçaram com amizade bonita, ele não tinha com quem conversar e era com ela que ele desabafava. Ele saia de casa com todo aquele clima e se encontrava com ela pra corridas matinais pelo parque, passaram alguns dias ele olhando para sua esposa numa noite após um ataque de nervos dela, ele viu nos olhos dela que aquela mulher, derrotada por uma doença horrível, que não possuía mais nem um tipo de vaidade pela sua condição, que não se cuidava mais, que não o beijava mais e que nem o reconhecia mais como marido ainda era sua esposa, a mesma esposa que ele tirou da casa dos seus pais quando ela era uma adolescente bonita e inteligente; ela era sim aquela mesma mulher que o pai dela lhe entregou no altar, ela era sim a mesma mulher que lhe ajudou a construir tudo o que eles tinham, a mesma que sorria quando ele chegava em casa, a mesma que ria das suas danças e que não fazia barulho na manha de sábado pra que ele pudesse descansar um pouco mais. Aquela mulher que não mais pintava as unhas, que não ia mais ao cabeleireiro, que não usava batom e que teve roubada até sua dignidade pela pior doença que pode acontecer, essa mulher ainda era sua esposa, a mesma que ele levou em lua de mel. Aquela mulher que não colocava mais a mesa, que não se perfumava e que não saia com as amigas para compras, aquela mulher era mesma que ele beijou e que teve seu coração disparado quando ela aceitou casar com ele...
Na manha seguinte ele foi correr no parque e se encontrou com sua amiga, ele disse pra ela que aquele seria o ultimo dia que ele corria naquele parque. Ele voltou pra casa e encontrou sua esposa quebrando os untensilios da casa sendo contida pela sua filha. O Alzeimer deixa a pessoa em alguns casos agressiva e sem noção de dor ou entendimento. Ela ofendia a filha que chorava, o esposo entrou na casa e segurou as mãos da esposa que passou a xingá-lo e cuspir nele. Ele com os olhos cheios de lagrimas disse: ‘Eu prometo te amar na riqueza ou na pobreza, na bonança ou desventura, na saúde ou doença e cuidar de você até que a morte nos separe.’ Ela gritava que o odiava e ele respondia ‘e eu ainda te amo...e é um prazer cuidar de você.’ Espero que Carla cuide de mim quando ser ‘enjoado’ não for tão engraçado.



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